Guia 2026: Quanto cobrar por uma composição? Entenda os valores do mercado musical
Se você é compositor ou um artista em busca de repertório, já deve ter percebido que o mercado da música não tem uma "tabela de preços" fixada na parede. O valor de uma obra é um dos segredos mais bem guardados das bancadas de composição, mas hoje vamos abrir essa conversa de forma transparente.
Cobrar pela sua arte não é apenas colocar um preço no papel; é entender o potencial de negócio que aquela letra e melodia carregam.
1. O que define o preço de uma música?
Antes de dar o valor, o mercado analisa três pilares principais:
O histórico do compositor: Quem já tem hits no topo das paradas (as famosas "músicas no 1") cobra muito mais caro pelo "passe" da obra.
O potencial do artista comprador: Cobrar de um artista iniciante é diferente de negociar com um nome que já lota arenas.
A exclusividade: Você está vendendo o direito de apenas aquela pessoa gravar ou está liberando para quem quiser (liberação simples)?
2. Modelos de Negócio e Valores Médios (Referência 2026)
Baseado nas práticas atuais do mercado brasileiro, aqui estão as faixas de preço mais comuns para o pagamento inicial (o chamado "upfront"):
Liberação Simples (Não exclusiva): O artista paga para gravar, mas o compositor pode liberar a mesma música para outros artistas. Os valores costumam girar entre R$ 1.500,00 e R$ 4.000,00.
Exclusividade Temporária: O artista garante que será o único a trabalhar aquela música por 1 ou 2 anos. É o modelo mais comum para quem está em ascensão. Os valores variam de R$ 8.000,00 a R$ 20.000,00.
Compra de Obra (Venda Total): Muito comum no sertanejo e pop de grandes gravadoras. O artista ou a editora "compra" a exclusividade total da obra. Aqui, os valores partem de R$ 30.000,00 e podem ultrapassar os R$ 100.000,00 em casos de compositores renomados.
3. O dinheiro não acaba na venda: O papel do ECAD
É fundamental lembrar que o valor pago pela música no ato da compra é apenas o começo. No Brasil, o compositor nunca deve abrir mão dos seus Direitos Autorais de execução pública.
Toda vez que a música tocar no rádio, na TV, no Spotify ou em shows, o ECAD arrecada valores que são repassados aos autores. Muitas vezes, uma música que foi "vendida barato" inicialmente acaba rendendo fortunas em direitos autorais ao longo dos anos se ela se tornar um hit.
4. Dicas para valorizar sua composição
Quer cobrar mais caro? Invista na apresentação:
Guia de Qualidade: Uma demo (guia) bem gravada, com uma voz afinada e um arranjo mínimo, ajuda o artista a se imaginar cantando a música. Isso agrega valor imediato.
Foque no Refrão: Em tempos de vídeos curtos e virais, um refrão marcante vale ouro.
Networking: Estar presente em acampamentos de composição (song camps) e bancadas ajuda a construir o nome que sustenta preços mais altos.
Conclusão
Não existe valor certo ou errado, existe o valor que faz sentido para o seu momento de carreira. Se você está começando, às vezes vale mais a pena colocar sua música na voz de um artista promissor por um preço menor do que ficar com ela "na gaveta" esperando um valor alto que não chega.
Sua música é seu patrimônio. Valorize-a!